Um convite a conhecer a filosofia por trás dos onsen e seu impacto no corpo e na mente
Imagine um lugar onde o banho é mais do que limpeza — é pausa, silêncio e gratidão.
No Japão, o gesto de mergulhar em águas quentes se tornou um ritual milenar de cura e reconexão.
Entre as montanhas vulcânicas e o vapor que paira sobre as pedras, os onsen (banhos termais naturais) e os sento (banhos públicos) revelam uma cultura que transformou a água em linguagem de bem-estar.
Mas o que há por trás desse costume tão simples — e por que ele faz tão bem?
Onde a Terra Respira
O Japão é um arquipélago de fogo e água.
A força dos vulcões aquece milhares de nascentes, dando origem a mais de 25 mil onsen espalhados pelo país.
Desde tempos antigos, acredita-se que essas águas, ricas em minerais, possuem poderes terapêuticos: aliviar dores, acalmar a mente e renovar as energias do corpo.
As histórias sobre suas origens são tão simbólicas quanto as próprias fontes.
Diz-se que garças feridas mergulhavam nas águas e saíam curadas, e que os deuses do fogo e da montanha deixaram nelas o dom da regeneração.
Banhar-se, então, é aceitar o convite da natureza para se recompor — por fora e por dentro.
Purificação e Presença
O banho japonês não começa dentro da água, mas antes dela.
Antes de entrar no onsen, cada pessoa se lava cuidadosamente, em silêncio.
Esse momento é parte essencial do ritual: simboliza o desapego do que é externo — poeira, pressa, preocupações — para, só então, entrar limpo no espaço sagrado.
Para os japoneses, o banho é uma forma de purificação espiritual.
Desde o século VIII, monges e imperadores praticavam o “banho devocional”, acreditando que a limpeza do corpo preparava também a alma para o equilíbrio.
Ali, a água é mais do que substância: é fronteira entre o mundo e o eu.

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