Shampoo em pó em uma tigela de cerâmica ao lado de uma corrente de água, ilustrando o conceito waterless e a relação entre cosméticos em pó, consumo de água e sustentabilidade.
on October 29, 2026

Shampoo em pó economiza água? O que a ciência revela

A água está presente em praticamente todas as etapas da nossa rotina de cuidados. Ela participa da limpeza dos cabelos, da formação da espuma e do enxágue. Mas também pode estar presente muito antes de abrirmos a embalagem de um cosmético.

Com o crescimento dos produtos waterless, ou cosméticos formulados sem adição de água, surge uma pergunta importante: um shampoo em pó realmente economiza água?

A resposta envolve mais do que observar os ingredientes presentes no frasco.

Pesquisas científicas mostram que, para compreender o impacto hídrico de um cosmético, é necessário considerar sua produção, embalagem, transporte e utilização.

Entenda o que já sabemos, quais são os benefícios potenciais das fórmulas em pó e por que o consumo consciente começa com informação.

O que significa um cosmético waterless?

O termo waterless significa, literalmente, “sem água”. Na indústria cosmética, ele costuma ser utilizado para identificar produtos desenvolvidos sem água adicionada à formulação ou com uma quantidade reduzida desse ingrediente.

É o caso de determinados shampoos em pó, que permanecem secos dentro da embalagem e entram em contato com a água somente durante a utilização.

Diferentemente dos shampoos líquidos convencionais, nos quais a água geralmente representa uma parcela importante da composição, as fórmulas em pó permitem reunir os ingredientes em uma apresentação concentrada.

Na Cabano, essa transformação acontece durante o banho: o pó recebe água nas mãos, forma espuma e pode ser aplicado nos cabelos molhados.

Mas existe uma distinção importante.

Um cosmético sem água na formulação não é necessariamente um cosmético que utiliza menos água em todo o seu ciclo de vida.

Essa diferença é fundamental para compreender o conceito de sustentabilidade aplicado aos cuidados pessoais.

Onde a água é utilizada na produção de um shampoo?

Quando pensamos no consumo de água de um cosmético, geralmente lembramos daquela que aparece na lista de ingredientes.

Entretanto, ela pode participar de diferentes etapas antes e depois da fabricação.

Uma revisão científica publicada em 2022 na revista Sustainable Production and Consumption, conduzida por Aguiar e colaboradores, analisou a utilização da água ao longo do ciclo de vida dos cosméticos.

Os pesquisadores destacaram que o recurso pode ser necessário na obtenção de matérias-primas, na fabricação, na higienização de equipamentos, na produção das embalagens e na utilização pelo consumidor.

Isso significa que a pegada hídrica de um produto não depende exclusivamente da quantidade de água presente em sua fórmula.

Água na formulação

Nos shampoos líquidos, a água frequentemente funciona como veículo para distribuir e incorporar outros ingredientes.

Em um shampoo em pó formulado sem adição de água, essa função é desempenhada de outra maneira: os componentes permanecem na apresentação seca até o momento da utilização.

Água na fabricação

Mesmo quando o produto final não contém água adicionada, sua cadeia produtiva pode utilizar esse recurso.

O cultivo de matérias-primas vegetais, a fabricação de ingredientes e a limpeza de equipamentos são exemplos de processos que podem envolver consumo hídrico.

Água durante o uso

O shampoo em pó continua dependendo da água para realizar a lavagem.

Ela é utilizada para molhar os cabelos, ativar a fórmula, distribuir os agentes de limpeza e remover os resíduos durante o enxágue.

Portanto, o conceito waterless não significa eliminar a água do cuidado capilar, mas modificar a maneira como ela participa da formulação e do ritual.

O que a ciência revela sobre o consumo de água durante a lavagem?

Uma pesquisa publicada em 2025 no International Journal of Cosmetic Science investigou quanto de água é necessário para enxaguar produtos capilares.

O estudo, conduzido por Dezeure e colaboradores, avaliou dez shampoos e dez condicionadores em 148 participantes, considerando características como comprimento, volume, curvatura, espessura e condições dos fios.

Nas condições experimentais, os pesquisadores observaram que o enxágue de um shampoo utilizou, em média, 7,1 litros de água.

Para os condicionadores, a média foi de aproximadamente 6,3 litros.

Esses valores não representam o consumo total de um banho. Eles correspondem especificamente ao volume medido para o enxágue dos produtos investigados.

A pesquisa também mostrou que cabelos mais longos e volumosos tendiam a exigir mais água nessa etapa.

Outras características, como curvatura e espessura dos fios, não apresentaram influência estatisticamente significativa nos resultados analisados.

O que esses resultados significam?

O estudo demonstra que o consumo de água durante a lavagem depende de diferentes fatores, incluindo as características dos cabelos e o comportamento do produto durante o enxágue.

Entretanto, a pesquisa não comparou diretamente os shampoos em pó Cabano com shampoos líquidos convencionais.

Por isso, seus resultados não permitem afirmar que determinado shampoo em pó economize uma quantidade específica de água durante o banho.

Eles mostram, principalmente, que a etapa de utilização precisa fazer parte de qualquer avaliação ambiental séria de produtos capilares.

Por que o ciclo de vida importa mais do que a embalagem isoladamente?

Para compreender o impacto ambiental de um produto, pesquisadores utilizam uma metodologia chamada Avaliação do Ciclo de Vida, ou ACV.

Essa abordagem considera diferentes etapas da existência de um produto, desde a obtenção das matérias-primas até seu descarte.

Em 2021, os pesquisadores Hanna Kröhnert e Matthias Stucki publicaram uma avaliação de ciclo de vida de um shampoo vegetal produzido e comercializado na Suíça.

O estudo analisou ingredientes, fabricação, embalagem, transporte, utilização e alternativas de refil.

Os resultados mostraram que a etapa de uso foi responsável por uma parcela expressiva dos impactos ambientais avaliados, especialmente devido ao consumo e ao aquecimento da água.

No sistema estudado, uma lavagem esteve associada à emissão de aproximadamente 161 gramas de CO₂ equivalente, considerando todas as etapas incluídas na avaliação.

Esse número não representa a pegada de carbono de qualquer shampoo. Ele corresponde ao produto e às condições específicas investigadas.

E o que isso nos ensina?

A pesquisa mostra que decisões aparentemente pequenas, como a temperatura da água e os hábitos durante o banho, podem influenciar significativamente o impacto ambiental de uma rotina de cuidados.

Também evidencia que mudanças na embalagem ou na formulação devem ser avaliadas em conjunto com outras etapas do ciclo de vida.

Um produto concentrado pode apresentar vantagens logísticas ou de embalagem, mas a dimensão desses benefícios precisa ser medida.

Shampoo em pó e shampoo líquido: quais são as diferenças ambientais?

A principal diferença está na apresentação da fórmula.

Enquanto um shampoo líquido convencional contém água incorporada ao produto, um shampoo em pó formulado sem adição de água permite que ela seja acrescentada apenas durante a utilização.

Essa característica pode oferecer oportunidades para repensar a quantidade de material transportado, o tamanho das embalagens e a logística de distribuição.

No entanto, a comparação ambiental depende de fatores como:

  • quantidade de produto necessária por lavagem;

  • rendimento efetivo de cada formulação;

  • composição e origem dos ingredientes;

  • peso e material das embalagens;

  • distância e modalidade de transporte;

  • quantidade de água utilizada no banho;

  • energia necessária para aquecê-la;

  • descarte e possibilidades de reutilização.

Por exemplo, um produto com embalagem menor não será necessariamente a alternativa de menor impacto se exigir mais produto por lavagem ou apresentar diferenças relevantes em outras etapas.

Por isso, a comparação mais adequada não considera apenas um frasco ou uma quantidade fixa de produto, mas uma mesma função de uso, como a realização de uma lavagem capilar.

Essa é uma das razões pelas quais estudos de ciclo de vida são importantes para avaliar alegações ambientais.

E qual é o papel das embalagens e dos refis?

A embalagem também participa da discussão sobre sustentabilidade.

Sua produção demanda matérias-primas e energia, enquanto seu destino após o consumo depende de fatores como coleta, reutilização e reciclagem.

Sistemas de refil podem contribuir para reduzir a necessidade de fabricar uma nova embalagem principal a cada compra.

Entretanto, o benefício ambiental depende do material utilizado no refil, da quantidade de embalagens efetivamente evitadas e da frequência com que o recipiente original é reutilizado.

No estudo de Kröhnert e Stucki, determinadas alternativas de refil reduziram os impactos associados às embalagens do shampoo analisado.

Mas os resultados também mostraram que uma redução expressiva no impacto da embalagem pode representar uma diminuição relativamente pequena no impacto total do produto, quando outras etapas são predominantes.

Isso reforça uma ideia importante: reciclar, reutilizar e reduzir materiais são estratégias relevantes, mas precisam ser avaliadas dentro do sistema completo.

O alumínio, por exemplo, é tecnicamente reciclável e pode ser reutilizado em novos ciclos produtivos. Ainda assim, a reciclabilidade do material não garante que toda embalagem seja efetivamente coletada e reciclada.

Para conhecer o impacto de um sistema específico, são necessários dados sobre composição, fabricação, transporte, reutilização e destino final.

Como tornar a rotina capilar mais consciente?

A sustentabilidade não depende apenas da escolha de um formato cosmético.

Ela também envolve a maneira como utilizamos os produtos e os recursos disponíveis.

Alguns hábitos podem contribuir para um uso mais responsável da água.

Evite deixar o chuveiro aberto desnecessariamente

Durante a aplicação e a massagem do shampoo, interromper o fluxo de água, quando possível e seguro, ajuda a evitar consumo sem finalidade.

Utilize a quantidade adequada de produto

Mais shampoo não significa necessariamente uma limpeza melhor.

Seguir as orientações de uso e ajustar a quantidade às necessidades dos cabelos pode ajudar a evitar desperdícios.

Observe a temperatura da água

A utilização de água muito quente aumenta a energia necessária para o aquecimento.

Escolher uma temperatura confortável, sem excesso de calor, pode contribuir para uma rotina mais eficiente.

Considere o rendimento e a embalagem

Na escolha de um cosmético, vale observar quantas utilizações ele oferece, como deve ser armazenado e quais são as alternativas disponíveis para reutilização ou descarte da embalagem.

Esses fatores ajudam a construir uma visão mais completa do consumo.

O que ainda precisamos descobrir sobre os cosméticos em pó?

A ciência já oferece fundamentos importantes para compreender os benefícios potenciais das formulações concentradas e a relevância da água no ciclo de vida dos cosméticos.

Entretanto, ainda são necessários estudos comparativos específicos para determinar quanto um shampoo em pó pode reduzir o consumo hídrico ou outros impactos ambientais em relação a um shampoo líquido.

Essas avaliações precisam considerar produtos reais, quantidades equivalentes de utilização e condições comparáveis.

Também é importante diferenciar resultados obtidos com ingredientes isolados, estudos laboratoriais e avaliações do produto acabado.

Uma fórmula sem água adicionada pode representar uma alternativa interessante de desenvolvimento cosmético, mas isso não comprova automaticamente superioridade ambiental em todas as categorias de impacto.

A sustentabilidade exige uma combinação de inovação, medição e transparência.

Menos água na fórmula. Mais consciência sobre o cuidado.

O shampoo em pó propõe uma maneira diferente de pensar um gesto cotidiano.

A água deixa de acompanhar a fórmula dentro da embalagem e passa a participar da transformação no momento do banho.

Essa mudança abre possibilidades para desenvolver produtos concentrados e repensar embalagens, transporte e hábitos de consumo.

Mas a ciência também nos convida a olhar além do frasco.

O verdadeiro impacto de um cosmético envolve sua trajetória completa: os ingredientes utilizados, os processos de fabricação, a distribuição, o modo de uso e o destino das embalagens.

Na Cabano, acreditamos que novas formas de cuidar também devem abrir espaço para novas perguntas.

Porque fazer escolhas conscientes não significa apenas procurar respostas simples. Significa compreender melhor o que existe por trás de cada produto.

A água continua essencial. O que podemos transformar é a maneira como nos relacionamos com ela.


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Referências científicas

1. Aguiar JB, Martins AM, Almeida C, Ribeiro HM, Marto J. (2022). Water sustainability: A waterless life cycle for cosmetic products. Sustainable Production and Consumption, 32, 35–51.
https://doi.org/10.1016/j.spc.2022.04.008

Revisão de perspectiva sobre a utilização da água no ciclo de vida dos cosméticos. Não constitui uma avaliação ambiental específica de shampoos Cabano.

2. Kröhnert H, Stucki M. (2021). Life Cycle Assessment of a Plant-Based, Regionally Marketed Shampoo and Analysis of Refill Options. Sustainability, 13(15), 8478.
https://doi.org/10.3390/su13158478

Avaliação quantitativa de ciclo de vida de um shampoo comercializado na Suíça, incluindo alternativas de refil. Os resultados dependem do sistema estudado.

3. Dezeure J, Pereira-Doel P, Font X, Morizet D. (2025). Understanding the water consumption associated with the use of hair care products: The impact of six hair characteristics on rinsing shampoos and conditioners. International Journal of Cosmetic Science, 47(6), 1026–1042.
https://doi.org/10.1111/ics.13082

Estudo experimental sobre consumo de água no enxágue de shampoos e condicionadores. A pesquisa teve participação e financiamento da indústria cosmética e não avaliou produtos Cabano.

Nota editorial: os resultados científicos apresentados referem-se exclusivamente aos produtos, populações e condições investigados nos estudos citados. Não representam testes de desempenho ambiental realizados com os shampoos Cabano.

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