A beleza que nasce do território
Na floresta, o espelho é o rio.
É ali que as mulheres Kayapó aprendem que a beleza não é um adorno, mas uma forma de existir em harmonia com a natureza.
Entre o canto das aldeias e o reflexo das águas, surge o Miss Kayapó — um ritual que celebra a força, o corpo e o pertencimento.
Mais que um concurso, ele é um encontro entre mundos: o gesto tradicional transformado em cena contemporânea.
Nele, as jovens desfilam não para competir, mas para afirmar uma identidade — feita de cores, ritmos e memórias que resistem.
O sentido profundo do belo
Entre os Mebêngôkre (Kayapó), o termo mejx significa mais do que “bonito”.
Ser mejx é ser bom, ético, correto.
É o equilíbrio entre corpo e espírito — o reflexo de uma vida vivida com respeito ao tempo e à terra.
A beleza, nesse contexto, é construída:
pelo olhar da comunidade, pelo cuidado com o corpo, pela forma de andar, dançar e sorrir.
Cada gesto é uma linguagem.
Cada cor, um saber transmitido de geração em geração.
O corpo como território sagrado
No Miss Kayapó, as jovens pintam a pele com jenipapo e urucum, adornam-se com miçangas e cocares de arara.
Mas os enfeites são apenas a superfície de algo mais profundo.
São símbolos de memória e pertencimento, modos de contar quem se é — e de onde se veio.
Os passos na passarela não são imitação das modelos da televisão.
São traduções — gestos que reinterpretam o olhar do outro sem se perder de si.
O desfile é rito: o corpo se torna mensagem, e o cuidado, expressão.
Quando a floresta inspira o cuidado
Os Kayapó ensinam que cuidar é também preservar.
Que o corpo, assim como o rio, carrega histórias, e que a beleza só faz sentido quando devolve à terra o que dela vem.
A floresta não ensina vaidade: ensina presença.
É esse mesmo princípio que inspira a Cabano — criar produtos que respeitam o tempo da natureza e o essencial da vida.
Como o povo do rio, acreditamos que o cuidado verdadeiro nasce do que é puro, leve e real.
Beleza é o que volta para a natureza.
E cada gesto de cuidado é também uma forma de recomeço.
Referência:
Demarchi, André. A Miss Kayapó: ritual, espetáculo e beleza. Journal de la Société des américanistes, 103-1, 2017. DOI: 10.4000/jsa.14981

6 comentários
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